quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Renascido das cinzas?

Se vos disser que o artigo é sobre Ahmed Hossam Hussein Abdelhamid poucos saberão de quem estou a falar. Agora, se vos disser que estou a falar de Mido, o nome pelo qual ele é conhecido nos meandros futebolísticos, já todos serão capazes de associar o nome aquele jogador egípcio, que tem tanto de talentoso como de problemático. Nascido no Cairo, em 23 de Fevereiro de 1983, começou a sua carreira num dos mais populares clubes africanos, o Al-Zamalek. A sua qualidade rapidamente o fez destacar-se, mudando-se de armas e bagagens para o continente europeu, em 2000, para representar os belgas do Gent. Provando que os responsáveis do clube estavam certos, quando avalizaram a sua contratação, Mido venceu o Belgian Ebony Shoe, um prémio anual que premeia o melhor futebolista africano a jogar na Bélgica. Um feito, com apenas 17 anos e no seu ano de estreia que foi também o último. Isto porque o Ajax, o conhecido emblema holândes, não ficou indiferente ao talento precoce demonstrado pelo avançado.

Se o seu talento continuou a florescer, o avançado mostrou também a sua outra faceta, a de jogador indisciplinado, rebelde sem causa num mundo com regras. Não estranhou, por isso, que apesar do seu indiscutível dom para marcar golos, o Ajax se tivesse fartado das diatribes do jogador e, em 2003, o emprestasse aos espanhóis do Celta. O sonho de contarem com um praticante de técnica quase inigualável rapidamente deu lugar ao pesadelo, pelo mau ambiente criado no balneário. Mido começou então uma vida de nómada, encetando um périplo por vários países europeus. Marselha e Roma foram destinos onde a boa estrela do muçulmano não brilhou como se esperava. Surgiu então no horizonte o interesse de um histórico do futebol mundial: o Tottenham. Primeiro por empréstimo, depois com o clube, agradado com as exibições e a qualidade do jogador, a contratá-lo definitivamente. A última temporada foi de ocaso. Jogando esporadicamente, em competições menores, Mido viu o seu espaço a ser cada vez mais encurtado, com a concorrência de Berbatov, Robbie Keane e Jermaine Defoe a provocarem mossa na ambição pela titularidade. Não estranhou que, no início de nova edição da Premier League, o jogador partisse, em busca de novo desafio. Aparentemente, descendo um degrau na sua carreira, ao juntar-se ao modesto Middlesbrough, mas continuando naquele que é, sem dúvida, o melhor campeonato do Mundo.

O início com a nova camisola não podia ser mais auspicioso. Dois jogos e dois golos, contribuindo de forma decisiva para a obtenção da vitória, frente ao Fulham, e do empate, contra o Newcastle. Assumindo-se como uma mais valia, Mido tem tudo para se tornar, a curto prazo, na estrela da companhia no clube de Riverside. Qualidade não lhe falta...

Na Selecção do Egipto, Mido já coleccionou 44 internacionalizações, apontando 18 golos, mas o seu temperamental comportamento já lhe provocou amargos de boca. Banido por duas vezes da Selecção, tornou-se célebre a discussão, em pleno jogo da CAN, com o seleccionador que o substituía, começando aí uma relação de amor-ódio em que este último tem prevalecido, no coração dos seus conterrâneos.

6 comentários:

Bruno Pinto disse...

Paulo, escelente post, muito completo sobre um jogador que é isso mesmo que referiste: um rebelde! Lembro-me de ele ter jogado no Marselha contra o FC Porto ao lado do Drogba. É um excelente jogador, precisa de um treinador que o compreenda e de um clube que o integre.

Abraço.

carlos magno disse...

Concordo com o Bruno, está um artigo profundo, bastante completo. Gosto do Mido, um daqueles avançados k comecei a seguir no Ajax. Muito talento k qd explodir fará mossa. Pode ser k no Middlesbrough isso aconteça.

Abraço,

rui tavares disse...

Paulo, excelente artigo. Mido sempre foi um enfant terrible, mas um jogador que sempre me habituei a seguir, pois é um grande goleador. Espero k tenha muita sorte no Middlesbrough e continue a marcar golos.

karadas disse...

Ainda vai a tempo de vingar, definitivamente. Sim, Mido também é um dos meus futebolistas predilectos. E o mau génio confere-lhe uma aura apetecível para os adeptos, k têm um gosto especial por jogadores rebeldes, basta ver o caso do Cantona.

Abraço,

el pibe disse...

Concordo inteiramente com o Bruno. Um treinador k compreenda o temperamento especial de Mido será meio caminho andado para fazer dele um avançado temível em Inglaterra. Qualidade ele tem, em doses suplementares.

Abraço,

francisco gomes disse...

Belo jogador, que acredito explodirá este ano. Não fosse a chegada de Berbatov ao Tottenham, acredito que Mido seria o ponta de lança titular, ao lado de Keane. Para já, um belo início no Middlesbrough.